Se estiver a ser agredida/o ou em perigo, peça ajuda.

Linha de Emergência 112 - Linha de Violência Doméstica 800 202 148

Serviço de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica de Cascais. Projeto gerido pela CooperActiva e co-financiado pela Câmara Municipal de Cascais.

 

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O meu nome é Maria, tenho 3 filhos, 47 anos e sobrevivi à Violência Doméstica.

Conheci o meu agressor numa fase da minha vida em que estava psicologicamente fragilizada. Nessa altura ele foi gradualmente entrando na minha vida como um “apoio” e acabou por entrar para a minha casa e vida particular. Iniciou-se uma fase de “Lua de Mel” onde me demonstrava carinho apoio e se declarava com frases de amor incondicional. Pouco tempo depois, talvez 2 meses passamos a uma fase de grande tensão, mentiras, manipulação, pressão constante, controlando-me 24 horas por dia, demonstrando um ciúme infundado, acusando-me de ter amantes. Acabei por perder a guarda dos meus 3 filhos. Sozinhos em casa as agressões e o controlo intensificaram-se. O arrependimento, pedidos de desculpa, e promessas que não aconteceria mais passaram a ser cada vez menos, as agressões cada vez mais frequentes e as ameaças constantes. Fiz várias queixas junto da PSP que invariavelmente na fase de inquérito me remetia ao silêncio. Deixei de conseguir trabalhar com a paz, concentração e dedicação que sempre tive. Fiz várias tentativas de sair de casa mas acabava sempre por regressar…

No dia 30 de Dezembro de 2013 após uma violenta agressão sai de casa rumo ao hospital acompanhada pelo INEM e PSP, apresentei nova queixa, poucos dias depois regressei e fui novamente agredida ainda mais violentamente, negou-me assistência médica, fechando-me em casa para que ninguém visse o estado em que estava. 3 dias depois consegui fugir, fui à PSP fiz um aditamento à queixa anterior e nunca mais voltei atrás. Já não tinha os meus filhos comigo, a empresa que tive durante 20 anos tinha ido à falência.

Durante praticamente 1 ano com o apoio incondicional do Espaço V dediquei-me a reaver a minha vida. Um ano muito duro, mas cheguei à fase de julgamento em tribunal, aguardo sentença. Um percurso difícil a todos os níveis mas que me permitiu hoje estar viva, a recomeçar uma vida nova e dar o meu contributo para que outros consigam chegar onde cheguei. No fundo o que é 1 ano em 47, muito pouco. Sei que hoje não estaria aqui para muito resumidamente contar a minha história sem o Apoio do Espaço V.

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Maria, nov.2014

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O meu primeiro contato com a violência doméstica foi durante a gravidez do nosso primeiro filho. Devido a esta agressão tive de recorrer as urgências, e assim iniciou-se um ciclo de agressões e urgências hospitalares.

Fui agredida várias vezes e em vários locais no meu corpo, algumas das quais poderiam ter resultado na minha morte…Para além da agressão física, também fui vítima de agressão psicológica, o que me levou a uma depressão profunda.

Não podia trabalhar, não podia ver amigos nem familiares. Como sempre fui boa aluna, tinha grandes expetativas para a minha vida, vários sonhos para perseguir, mas fui privada de todos eles. Como se não chegasse, ainda fui forçada a ser segunda titular de um crédito, que ele não pagou e que me persegue até hoje, razão pela qual ainda me sinto presa ao meu passado.

Sentia-me sozinha, sem ter a quem recorrer. Não me sentia protegida pela polícia, nem apoiada pelos serviços sociais e estava totalmente abandonada pela família.

A intensidade das agressões aumentou com a segunda gravidez, levando a que fosse internada por vários dias no hospital. Nesta altura umas amigas entraram em contato com uma instituição para me ajudar. Através desta associação conheci a Umar e secretamente programei a minha fugida.

Esta deu-se quando a casa onde morávamos incendiou-se misteriosamente…Conseguimos sair ilesos e fomos levados para uma pensão pela Proteção Civil. Daí fomos para um abrigo temporário e mais tarde para a nossa primeira casa de abrigo.

Devido a falhas de segurança fomos transferidos para outra casa de abrigo e mais tarde, novamente pelo mesmo motivo, fomos para a nossa terceira casa de abrigo.

Após este período de “anonimato” fui viver para casa de uma irmã e mais tarde consegui alugar uma casa. Nesta altura contei com vários apoios e não me senti tão sozinha. Várias instituições tentaram nos ajudar e após muita luta, muito sofrimento, muita espera conseguimos a nossa casa.

Concluído este processo, iniciou-se a batalha judicial. Este período foi muito traumatizante para mim, porque tive de reviver por tudo aquilo pelo qual tinha passado. O julgamento foi muito penoso, mas fez-se justiça e o meu agressor foi condenado, apesar de a pena ter sido suspensa. Ainda foi condenado a pagar-me uma indeminização, mas esta nunca me pagou e certamente nunca me pagará. Agora aguardo apenas o processo de regularização do poder paternal.

Este processo tem sido demorado, mas aos poucos vou-me libertando de tudo o que me aprisiona, pelo menos psicologicamente. Ainda não consegui realizar os meus sonhos, como ir para a universidade, tive de abdicar em prole dos meus filhos. Tenho dois a frequentar, um a caminho e mais uma em lista de espera. Mas não desisti, um dia vai chegar a minha vez. Até lá vou lutando, sinto que apesar de tudo o que sofri continuo a pagar, porque não me consigo livrar desta dívida que não é minha, mas que ele não faz questão nenhuma em pagar, prejudicando imenso a nossa vida. Mas continuei a lutar por mim e pelos meus filhos, e acredito que um dia seremos verdadeiramente livres.

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Sara, nov.2014

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Fui vítima de violência domestica durante os 6 anos que estive com o pai da minha filha.

Apesar de saber que não estavam corretas as atitudes dele, continuei a alimentar-me que com o meu amor ele iria mudar.

A agressão dele, não era visível, as pessoas nunca se aperceberam ou talvez fingissem que não se apercebiam. Durante a gravidez após uma violenta discussão fui agredida e dois meses antes de ter a minha filha aprisionou-me durante duas horas dentro de casa, levando as chaves com ele.

Após a minha filha nascer, as coisas complicaram-se mais, ele despediu-se e não procurava trabalho. Eu não aguentava todas as responsabilidades das despesas e da situação, pedi orientação psicológica. Conclui que o melhor era divorciar-nos, mas ele não aceitou, nesse momento estava no carro com ele e direcionou o volante para cairmos numa ribanceira, detive-o e mudei a direção do volante mas o carro embateu num poste, ele ficou bem eu fiquei com a cara marcada pelos vidros do para-brisa. A GNR tomou conta da ocorrência e fui para o Hospital. A situação não se resolveu, mais tarde o caso foi arquivado.

Após várias denúncias todas elas foram arquivadas e tive pouco apoio da Polícia.

Em dezembro de 2006 arrisquei pedir de novo o divórcio e a troca para ele sair foi dar-lhe a minha parte de alguns bens. Consegui oficialmente o divórcio em março de 2008, mas a minha proteção continuava frágil, havia sempre ameaças e agressões.

Em setembro de 2009, voltou a atacar de forma descontrolada, já não era dentro de 4 paredes mas foi em plena via pública numa das ruas principais e na presença da minha filha com 5 anos de idade. Tive que fugir para a casa de uma amiga, porque ele estava barricado em minha casa para me molestar. Liguei a PSP para me acompanhar até casa, mas eles indicaram que não tinham disponibilidade, ou seja, não havia carro de patrulha.

Tive que tomar uma decisão que me magoou psicologicamente como também a minha filha, tivemos que fugir para Lisboa para casa de um casal amigo.

Fui encaminhada pela Segurança Social para o Espaço V, e fui muito bem acompanhada. Informaram e apoiaram-me na resolução dos assuntos pendentes (Tribunal de menores, queixa-crime, emprego entre outros…).

Após uma longa espera pelo julgamento, em 2012 o pai da minha filha foi condenado a 3 anos de prisão com pena suspensa.

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Carla, nov.2014

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